CREDA COMO SOU MULHERZINHA!!!!
E para completar
Estava passando na TV um daqueles filmes dramalhões ei-de-vencer sobre patinação no gelo. Eu ADORAVA essas coisas quando era criança.

Divertimentos de uma moça em flor
Achei um livro na casa da minha mãe, chamado O melhor do Bordado. É uma espécie de enciclopédia das artes manuais dos anos setenta, com tapetes de crochê, almofadas, tricôs, tudo no melhor estilo flores enormes, padrões geométricos e cores fortíssimas. Eis que nos últimos dois dias me pus a aprender a fazer essas coisas, e meu tapetão redondo de crochê cresce sem parar. O bonito disso tudo é que de alguma forma, em uma tarde, as mulheres da família se reuniram de novo em volta de agulhas há muito tempo aposentadas, e qualquer coisa diferente juntou a gente na vontade de tecer o tempo com as mãos. Uma tradição muito velha que eu achei que tinha sido esquecida para sempre nessa família cheia de costureiras e alfaiates. Foi uma volta às origens, às tardes de quinta feira chuvosas na casa da avó, ao cheiro das lãs emaranhadas, e eu costumava fingir que a maior agulha de tricô que ela tinha era uma caneta enorme feita para escrever histórias importantes e desenhar mapas enquanto ela fazia bicos de crochê que eram aplicados em qualquer paninho por ali. E tinha o embaixo da escada, onde todos os fios e sacolas e tapetes bordados pela metade eram guardados e onde, eu tinha certeza, moravam dragões.