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Estou francesa e existencialista hoje. Estou de volta. "O inferno são os outros". "Ninguém se cura de si mesmo". "Eu sou résponsável pelo curso da minha vida". Se a publicidade não existisse e a gente fosse menos medroso essas frases estariam impressas nos parachoques de todos os caminhões do mundo. E aqui cabe uma gargalhada bem cruel. Ah, a música! As bobeirinhas do Gainsbourg me salvando das profundezas do Bethoven. Merci pour mes oreilles. O que eu mais queria é que todo mundo parasse de falar. Inclusive eu. Anseio por silêncio. Absoluto. O que é impossível. Aí continuo falando, que é assim mesmo o curso da vida. Saí da fase virei luz e voltei a detestar a humanidade. Nada mais saudável. A realidade arde mais que pimenta malagueta mas eu gosto de pimenta malagueta. Podia ser em doses homeopáticas mas não é. Estou à volta com tudo que é diário. Escrito, falado, filmado. E a frase do filósofo de Pirassununga: esse povo quer filmar o que não existe -a realidade. Tô ficando fã dele, Jesus me guarde. Por que também não dá pra escrever a realidade, não dá nem pra viver a realidade, por que ela não existe. Mas existe e sangra. Toda a minha existência é portanto um paradoxo. |