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Como é que se cura compulsão alimentar? O mais difícil são as noites. But whatever gets through the night is alright. Eu tenho um cansaço que eu não deveria ter. Às vezes chega sexta feira, é de noite, e de todas as trezentas e cinquenta coisas que eu fiz na semana apenas umas dez envolveram qualquer tipo de pensamento que tivesse um significado. É a vida, eu não reclamo, ainda me sobraram uns fiapos. Eu gosto muito de pensar, me desafoga. Agir eu não sei, mas estou aprendendo. Vai aprender o porquê do excesso e da falta de palavras aqui. Agradecimentos aos Gim Toness pelo link. Um sonho com a Glórinha Kalil me dizendo para serrar meus pés para deixá-los macios. No sonho, ela era amante do Lênin e não tinha problema algum em conciliar sua existência de perua de bom gosto com os ditames do partido comunista. Usava luvas cirúrgicas no lugar das meias de seda e balançava os cabelos pelas ruas de Paris. Eu aqui só sei que com o passar de todo dia a gente vai virando cavalo e entra sempre nas mesmas ruas e só às vezes se surpreende com uma igreja no alto de uma colina e uma revoada de andorinhas que sempre estiveram lá, todas as manhãs, desde 1700. Tem me irritado tanto as coisas sem alma que aparecem por aí. Fui ver Frida. O filme é uma festa à fantasia. Porque tudo aparenta ser como foi, milimetricamente aplicados os bigodes e pelos a mais na carinha bela da Salma Hayek, os gessos no corpo dela, a barriga imensa do Diego Rivera mais cara de sapo que poderia haver. E Trotsky e figurinos e decorações. E caras de dor. Mas nenhuma dor propriamente. A Salma Hayek é bonitinha demais pra conseguir interpretar aquele tipo de sofrimento. É chato. É irritante. É plasticamente arrumadinho e profundo como uma colherinha de café. Eu quero coisas que são e não coisas que parecem ser, tá? Um churrasco de doze horas, uma centena de cervejas, uma garrafa de Absolut vazia, um disco belo do Wandula, um filme ridículo na sexta, banho de piscina com dezesseis graus lá fora, amigos muitos e misturados, Surplus, Beatles de manhã no violão, she´s leaving home, um poodle cagão, sono e vontade de estar em casa onde agora estou e de onde eu sequer queria ter saído. |