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Neste momento estou me comunicando pelo ICQ com um amigo meu que está na ANTARTIDA. É emocionante. E sim, eu ainda não me acostumei à tecnologia, nem vou me acostumar. Se me acostumasse não estaria agora imaginando o lugarzinho de onde ele conta pra mim da nevasca que cai lá nesse minuto, da necessidade da equipe masculina de colocar uma playboy no cume de uma montanhinha próxima (poucas mulheres, concorrência braba), da atuação impecável do programa antártico brasileiro no fornecimento de bebidas álcoolicas para a tripulação e das coisas que ele faz lá. Outro dia, ele escalou uma montanha pra trocar uma lâmpada, veja só. Ontem eu lembrei muito desse amigo. Quando nós nos conhecemos, eu era uma patricinha incapaz de colocar meu dedo mindinho na lama. Com ele fui acampar pela primeira vez, fiquei perdida na serra do mar, mergulhei, deixei de tomar banho por quatro dias, aprendi a cozinhar no fogareiro. Agora eu sou capaz de viajar pelo país pra descobrir do que a vida é feita, e comer carne de bode, e enfiar até a cabeça na lama se precisar. Muitas pessoas me ensinaram, ele foi uma delas. Obrigada, Betão! Ontem foi o grande dia. E foi muito legal ver a platéia se emocionando, rindo, chorando, discutindo política, tudo por causa do primeiro filme que nós fizemos, na raça, na unha, sem saber mexer em nada, viajando numa idéia que parecia estapafúrdia e megalomaníaca, mas que no fim deu certo. É engracado apresentar pro mundo uma coisa feita, uma obrinha. Principalmente para mim que tenho sempre a impressão de não fazer nada apesar de tudo o que eu faço. E quem diria, eu sou discípula de Gláuber Rocha: uma idéia na cabeça, uma câmera na mão. Mais uns dinheirinhos minguados de patrocínio e voilá, um filme. Só que não é nada experimental. Por que o que me encanta é contar uma história de pessoas. Preciso arranjar dinheiro para fazer um curso de antropologia visual na USP. São só 450 reais. Aceito doações. Amanhã, às cinco da tarde, no auditório da FAU-USP, exibição do filme Macururé: Todas as Flores do Sertão, no qual eu fui câmera e assistente de direção (será que foi isso?). Oh, é o grande dia! Estou apaixonada pelo Luis Nassif, o jornalista econõmico mais simpático do mundo. Noite de segunda feira voltei ao Ioga. Meu corpo ficou contente. Depois, conversa sobre o filósofo de Pirassununga, uma tristeza grande e um pouco de raiva do outro lado do rio. E no dia seguinte eu acordei cansada, mal-dormida, e meu corpo já não estava tão feliz. Eu estou temporariamente fora do ar devido ao calor insuportável dessa cidade, febres, suadouros, desmaios. Ouvi dizer que um grande amigo meu está na ARTÁRCTICA. Morro de inveja, homem! Eu quero que faça frio. Sábado de noite chovia potes e eu dentro dágua, aquela água quente do quintal, apaixonada por você que me abraçava e me mostrava uma certa simplicidade das coisas que até agora tinha me escapado. Tenho que fazer muita lição de casa. E ontem P.: " a gente fica se achando péssima por que gosta de estudar, mas a maioria das pessoas detesta estudar. Então é uma questão de transformar estudo e ensino em profissão." Clap! Depois de trabalhar um pouco à tarde, comecei a indicar uma pressão atmosférica incompatível com a vida na terra: aquele calor fez com que minha cabecinha doesse o dia todo. Nada que não se resolvesse com um mergulho no tanque. E agora eu tenho que responder uma questão simples que me deram de lição de casa: o que é sofrimento? Fácil, não? Nasceu. Ontem assisti à versão final do documentário Macururé:Todas as Flores do Sertão. Aquele que eu fiz junto com meu amigo Lú. Tem encarte, caixinha, tá pronto. Ainda não caiu a ficha que fizemos um filme, só vai acontecer na quinta feira, dia da apresentação de nosso filho ao mundo. Aqui está o convite: Macururé: Todas as Flores do Sertão 13- 02-03 Quinta feira 17h Auditório da FAU /USP Cidade Universitária. Na sexta feira, fugi da chuva pra tomar verveja e comer petiscos num bar lá no Bonfa (Jardim Bonfiglioli, para os menos íntimos) A chuva passou, eu e R. falamos até a língua dar cãibra e depois fomos ao cinema assistir a Amores Parisienses. Me diverti muito com aquelas músicas da minha infância trilíngue (quando eu tinho oito anos a minha mãe estudava inglês, francês e italiano, e consequentemente ouvia músicas em todos esses idiomas). Je voile te dire que je mon vè... Parole Parole... Rèsiste! Prouve qui tu èxiste! Delicioso. Exceto o Frei Caneca Art Plex vulgo O cinema para quem ama filas estúpidas: fila na bilheteria, fila no banheiro, fila para chegar no estacionamento, fila para pagar o estacionamento, fila pra sair do estacionamento... |