Desejo da madrugada
O que eu queria mesmo era estar em algum lugar, tomando uma ceveja com algum amigo e fofocando. Em vez disso, estou de castigo: noite na frente do computador, litros de remédio e dormir cedo. Por que agora está cedo. E eu não estou com sono...

E por falar em amor
Amor é uma coisa que se sente bem devagarzinho mesmo. Eu estava pensando nisso. Eu sempre fui apressada. E pressa acaba rápido com as coisas. Por que a parte mais legal de se apaixonar é começar a perceber que existe uma pessoa pela qual você pode sentir isso. Depois você vai conhecendo, vê se tem a ver, pega na mão e vai ao cinema, old fashioned way. E depois vem o frio na barriga (que é o que gente apressada tem medo de sentir - o frio na barriga é um claro sinal de que aquilo vai mudar a sua vida de algum jeito). E depois um beijo. De preferência em uma escadaria. E as pernas tremem, outro fatídico sinal. E depois cai uma chuva, e tomar chuva junto passa a ser um programa bom de se fazer. E sentar numa praça, num banco, olhando cachorros, e andar pela cidade e ver tantas coisas que se pode ver com os olhos colados no peito do outro, uma sacola balançando no braço, e vontade nenhuma de estar em outro lugar. E depois da chuva, secar as roupas...
O que eu sempre fiz, com essa pressa maldita de ter tudo objetivo e claro na minha cabeça insegura, era achar tudo isso ridículo e não me dar tempo para coisas que são muito boas, mas que exigem coragem. Por que se apaixonar exige coragem, sim. Exige abandono. Exige confiança. E como confiar em alguém que você não conhece direito? Tem que dar o tempo. Isso pode soar conservador e romântico, mas é uma coisa que eu descobri depois de muito bater cabeça sendo moderna.
Não quero nunca mais matar amor e possibilidades de amor com as utilidades e definições de todo dia.

Esta tarde
Elas falavam. As duas. Sem parar. Ao mesmo tempo. E tinham o mesmo nome. Só que uma era com zê e a outra com ésse. E me explicaram as vicissitudes dos homens e da vida amorosa e de como isso e isso e aquilo e namorados e maridos e companheiros e casamentos e cumplicidades e maturidade. Me explicaram formas para eu me tornar uma lady. Me encurralaram. Desfilaram comentários sobre toda a lista de amigos, namorados e afins que eu já tive. Deram conselhos. Prometeram me apresentar para engenheiros bem sucedidos. E eu lá, uma pedaço de mamão com aveia entalado na garganta, com vontade de gritar que o que eu queria mesmo era o disco novo do Flaming Lips. Socorro!

História verdadeira
Davi era publicitário e amigo da Mamá. Arranjou um emprego em Portugal e foi exercer sua criação numa agência de lá. Trabalhava como um camelo. Um dia, alguns anos depois de ter emigrado, escreveu para os amigos contando que abandonaria tudo. O mercado publicitário estava em crise, ele estava de saco cheio, não havia mais sentido em continuar. E os amigos: mas o que você vai fazer da sua vida em terras lusas? Vai virar garçom, motorista de praça, dentista? E ele: Não, vou ser cantor. Cantor Pop. E os amigos: Como?!?!?!? E ele: calma, eu não fiz isso de loucura, eu já assinei com uma gravadora, quero ser ídolo romântico adolescente. Já tenho contrato e tudo. Senhoras e senhores, com vocês Davi não vê estrelas. Atenção para esses deliciosos MP3 da nova sensação do momento.

Lou Reed e o Oeste Paulista
Sergge colocou Walk on the Wild Side na vitrola. E eu, ingênua, perguntei: nossa que versão é essa, tão rara? E eles: Lou Reed ao vivo em Presidente Prudente, ha ha ha.
A vitrola estava quebrada.
Mas o efeito era interessante.

E hoje
Não tem literatura. Só reclamação da vida. E nariz entupido. Boa noite.

And Whattanight
Agora, as notícias boas. Ontem me diverti horrores tomando litros de coca diet, com a Kaguen, o Cara e Gim renascido Toness, este último conduzindo uma interessante reportagem sobre hemorróidas. E teve o Bruno, claro, muito adorável.
E o Léo e o Sergge, donos do bar, brigaram a noite inteira enquanto o último colocava na vitrola trilhas sonoras de músicais antigos, como Hair e Horizonte Perdido (burt bacharat na pior forma). E os dois elogiaram muito o que eles chamaram de minha "memória uterina".
A perua escolar (EU) deixou todo mundo em casa as duas da manhã, feliz como o que, e sem saber o que a esperava neste terrível dia seguinte... que graças a deus já passou.

Aliás
Aqui a correlação estatística entre emprego novo e batidas automotivas é de 100%.

And Whattaday
Primeiro as notícias ruins. O emprego novo é uma furada. Bati o carro enquanto ia para lá. Chorei, tremi, suei, passei calor, fiquei com febre, tomei água com açúcar e três litros e meio de Rescue Remedy (os mágicos florais da dona mãe). Depois dormi, passou, passou. E preciso mais uma vez tomar decisões. Quando essas merdas acontecem, você percebe que a merda em que você está não é tão ruim assim.

E eu preciso contar
O final da noite de domingo foi bem engraçado.
Eu e Camila Shanty (a última em noite particularmente atacada), abduzimos um vegetariano e o levamos a um hamburguer joint.
Apesar do inadequado do programa, nos divertimos bastante.

Legal
Olha esse site Esses caras são muito generosos. Deixam a gente ouvir as musiquinhas deles e ver desenhos legais.
E pink com marrom é uma combinação linda.

Plano infalível
Pedir demissão da escola de inglês. Passar quinze dias numa praia deserta. Voltar e começar no trabalho novo.
Para isso eu só preciso falar com as pessoas certas.
Às vezes é bom ficar na casa da mãe se entupindo de novalgina e pensando. Quando o olhar fica muito estreito tem sempre um ponto de fuga. E de repente uma possibilidade se abre e eu de novo quero alguma coisa. Só preciso perder o medo de me arrepender solenemente das coisas que eu faço.

Do meio da vida
Eu olhei para cima, para fora da viseira de cavalo em que me pus. E vi um bocado de gente interessante mas muitíssimo comum que se aboleta ao meu lado. Por que ser comum é um dado, uma coisa fatídica da vida. E comum é o cara que eu conheço que vai todos os dias a noite no mesmo bar, ou a menina que pesquisa a genética dos vermes do cocô da galinha, ou o cara envergonhado que quase nunca sai de casa, ou aquele outro que lê muito, mas somente e tão somente Machado de Assis.
A vida não é glamour dourado. Mas ela é glamourosa mesmo assim.

You are here
Dormir de tarde e acordar de noite achando que se está na madrugada anterior é uma sensação interessante para te localizar no mundo. Eu por exemplo, estou a quinze passos de um primeiro e tardio emprego, trabalhando pela primeira vez com aquilo que está escrito no meu diploma. E estou morrendo de medo. Como disse a Ana, prestes a entrar no mundo dos adultos. E viva o décimo terceiro.
Entrevista às duas da tarde. Pavor de ser incompetente. Isso é que dá ter sido CDF a vida inteira. P. e a interessante teoria: CDF tira dez na escola e só se fode na vida. Por que a vida não é mérito, é safadeza.
Relaxa, relaxa, respira, um dois três, decidindo a roupa tomando mais uma aspirina comendo lasanha sadia remédio contra a ansiedade derretendo de calor vou ler um livro no metrô para me acalmar salto alto jamais e se a meia calça rasgar e eu podia mesmo era ir embora vender coco mas não tenho coragem nem quero preciso parar de ter medo de fazer as coisas que eu estudei tanto para fazer ...E ahhhhhh! PUM! Fui. A cabeça explodiu de tanto pensar adiante.
Não preciso ficar asim. Eu sou bem comum. Não sou nem ser superior nem imprestável completa. Sou igualzinha a todas as pessoas que estarão sentadas naquele escritório da repartição onde eu vou ser entrevistada.

Que dia foi esse?
Fui dormir às três da tarde, doentinha, e fui acordada pelo telefone a meia noite com uma proposta de emprego. Às vezes ficar imóvel faz a vida andar.

Good night
Noturnos, muitos deles. De chopin. Lindos, piano, piano, piano, erudito baba mas sobretudo poéticos e lindos e foda-se que todo mundo os coloca em trilhas sonoras de filmes legais (Chacun Cherche son Chat) ou horríveis (outros tantos que eu nem lembro o nome).Eu não canso e vou lá colocar as sapatilhas e sofrer e suspirar no meio da sala vazia efazer volteios desajeitados no ar e sonhar com uma vida menos laminha, e fazer a vida ser menos laminha e lá lá lá lá lá.

Dorothy Parker
Amo esta mulher. Além de ter escrito alguns dos melhores contos do mundo (Big Loira, A telephone call), ela escreveu poemas de amor absolutamente hilários (e amargos de uma certa forma...)
Por exemplo esse, meu predileto - em tradução livre:

Uma rosa perfeita

Uma única flor ele me mandou, desde que o conheci.
Com ternura sua mensageira ele escolheu,
Verdadeira, pura, perfumada com gotas de orvalho.
Uma rosa perfeita.
Eu entendo a linguagem das flores.
"Minhas pétalas frágeis" ela dizia, "guardam seu coração".
O amuleto do amor é há muito tempo
Uma rosa perfeita.
Por que será que ninguém nunca me mandou
Uma limusine perfeita?
Ah, não, eu tenho muita sorte,
Eu sempre ganho
Uma rosa perfeita.

A new life
Sabe, não é nada ruim ficar tomando café e lendo e rindo e imaginando uma volta no parque mais tarde, e preguiça, preguiça, preguiça.
Nick Drake, Syd Barret, Neil Young e mais uma dezenas de loucos deprimidos me fazem companhia. Obrigada, meus homens, aqui está ótimo e hoje eu lembrei de regar o pé de pimenta e a vida é bem mais simplesinha agora do que era as três da manhã enquanto eu estava saqueada e saudosista.

Pronto, voltou
Tive que mudar... todas as fofoquinhas passadas estão perdidas...

Bá bá bá
Meus comments cairam.

Hoje é domingo, muito domingo

E o score da noite foi
Almodóvar, filme foda sobre amor e morte, um temaki enorme, duas doses de saquê, a melhor amiga ouvindo as abóboras da minha memória e dormindo desmaiada no sofá instantaneamente.Litros de lágrimas patéticas. E agora passou. Passou, está passando.
E não, obrigada, eu não preciso do telefone do CVV, ha ha.


Enjoei dessa choradeira. Mas é que eu preciso dela às vezes. Eu sou mais legal do que essa viúva carpideira encarquilhada e vestida de preto que se apodera de mim.

...
Estou triste e chorando pelas mesmas coisas desde fevereiro. As mesmas coisas e algumas outras. E nada do que eu diga melhora isso. Amor é uma coisa estranha de se sentir por alguém que já não está aqui e que não vai voltar nunca. Eu não aguento mais viver de assombração e não tem nada que me faça deixar de ver fantasmas. Eu continuo procurando alguma coisa, e alguém, principalmente alguém, que não me deixe sentir deste jeito.