Aflição
Minha velocidade de leitura é algo em torno de duzentas páginas por dia, não importa o que eu tenha que fazer. Eu leio dois livros por semana, em média. E eu odeio isso, por que não tenho dinheiro para comprar outros livros e eu não suporto ficar sem nada pra ler.
Quando um livro é muito bom, eu leio várias vezes, e quando estou chegando nas páginas finais, vou enrolando, pra não acabar logo.
As vezes ler é a única coisa que me deixa feliz, e livro é melhor do que gente. Ah, é. Por que reclama menos e não tem crise existencial.

Ontem à noite
Vódka tônica, schinitzel com spatzel, sigue sigue sputinik. Depois fui na Fun House, escapar do demônio do samba-rock, e encontrei um moço que eu achei que não ia nunca mais ver na vida. O homem que fala tailandês. O Mó. Eu lembro de estar triste por causa de um amigo nosso que era vizinho dele. O Mó me levou pra sala de casa, colocou um vinil do Renaissance e me falou de amor e dores de amor e de coisas que ele tinha descoberto na Tailândia.

Cozinheira
E eu vou fazer pão, que é uma coisa que eu gosto muitíssimo de fazer.
Amassa, amassa, amassa e a raiva passa.
Pronto.

Cerejas
Não fui para a praia. Não tenho lugar no coração de ninguém. Não tenho emprego de verdade que me prenda. Não tenho nada. Estou tateando, achei que estava triste mas sacudi a cabeça para o lado e pensei, como acabei de escrever para um amigo: quanto a ser o grande amor de alguém, mais vale um cachorro morto.
Falta de laços, liberdade é isso então? Dizia o tarô zen do mestre Osho, ontem à noite: abra a porta, se atire, não tenha medo da solidão, por que solidão é diferente de estar sozinho. Estar sozinho pode ser algo muito bom.
Então tá. Vamos ver. Agora eu queria um café bem gostoso. E cerejas. Vermelhas, doce-azedas, lindas, o arremate perfeito para este sundae indigesto e enorme que eu comi nos últimos dias. O sundae que o diabo amassou, ha.

Treinem o español
Reflexão do dia:
"En el año 2001, en todo el mundo se gastó cinco (5) veces más en implantes de senos y en viagra, que en la investigación del Mal de Alzheimer... Se puede predecir que en treinta años, habrá un gran número de personas con grandes tetas y tremendas erecciones... pero incapaces de recordar para qué mierda sirven..."
Mandado por Camila Shanty, a herdeira da fábrica de chantilly.

...
Estou triste. O mundo é uma merda. Acho que eu já repeti esta frase umas noventa mil vezes. Acabei de ler um livro que me fez chorar por causa da crueza e da verdade. Fui dar aula, voltei, piloto automático, ingênua pensei que poderia "enfrentar tudo com leveza e sabedoria e bom humor". Ingenuidade mata, fere e dá dor de barriga. E pensar que ontem eu estava felizinha, os amigos no bar todos juntos e outros que chegaram sem avisar... E antes de antes de ontem eu estava muito muito feliz, acreditando em tudo o que me diziam e era tão bom acreditar, era verdade e era bonito. E de repente, cadê? Eu nem sei o que aconteceu, é como se eu tivesse caído no sono por uns minutos, sem querer, e acordasse em outro corpo.
Eu estou desistindo de acreditar nas pessoas, é como se eu fosse criando umas bolhas, uns calos por dentro.
O jeito que a vida da gente está organizado é estúpido.
Ninguém olha do lado para ver o que está acontecendo. Umbigos, Umbigos, Umbigos. O mais longe que a vista alcança são os piercings nos mesmos umbigos.
Estou de saco cheio.
Vou pra praia.
Adeus.

Ichi II
Este disquinho novo do Beck É um disco do Pink Floyd. " Bad acid trip?", I ask nonchalantly.

História complicada
Esta tarde foi dedicada aquilo que eu chamo com uma certa dose de ironia de "a minha literatura". Em dois anos talvez esta coisa tome forma. O problema é que eu preciso dar uma forma pra ela antes, pra poder continuar vivendo. As palavras escritas lá contam uma história que está me entupindo. Mas eu já não odeio tanto os personagens, o que é uma coisa boa. E não se assustem, por que o livro vai pra gaveta depois.

Do blog do Fábio
" Tenho um ex-casal de amigos que comprovam o vazio do mundo. O vazio da existência. O vazio que dá origem à vida.
Ele, um moderno em busca de sabedoria. Ela, uma provinciana em busca de modernidade.
Ambos continuarão procurando. Quem vai chegar lá?!
Fabio de Paula 19:44 [+]"
...
Engraçado ler isso e achar que sei de quem ele está falando... E de uma certa forma concordar.

Semana Quiche
Domingo foi Quiche Lorraine e hoje foi Quiche de Abobrinha. Este é o meu problema quando eu aprendo a fazer um prato novo: fico obcecada.

A história da avó de L.
Mais uma história triste, bonita e suspirante. E de verdade, que é o que mais me fez ficar tocada. O avô de L. morreu de repente, muito moço. A avó dele amava muito o avô, e foi muito difícil para ela suportar tudo aquilo. Mas ela suportou, arrumou a casa, criou os filhos, refez a fortuna que eles tinham perdido. E, até o final da vida, escreveu cartas secretas para ele. Cartas onde contava as novidades, o casamento da filha, o nascimento dos netos, as impressões que ela teve com as crianças crescendo. Cartas onde ela falava da saudade infinita que sentia dele, o grande amor de sua vida. Saudades, perda e um jeito de não desmontar ao sentir tudo isso. Será que ela achava que ele podia ouvir?
Quando ela morreu, a mãe de L. achou uma caixa, no fundo do guarda roupa, cheia de trinta anos de cartas de amor escritas para um homem morto.

Hoje
Eu fugi e vim aqui inventar os meu silêncios.

A festa de Hebe
O sonho acabou. A festa no castelo de Caras, reencontro de dez anos de formatura do colégio, custa 73 reais per capita e é um JANTAR DANÇANTE. Provavelmente com canapés de tomate seco e vinho ruim. É demais pra mim. Vou gastar em discos e livros que eu ganho mais.

Eu queria dizer uma coisa
Nós estamos sempre muito ocupados com a própria dor pra perceber outras coisas em volta. É triste, mas eu acho que estou me acostumando a isso. Chorei de tarde tomando café, suspirei, enchi o saco, comprei cervejas e descobri mensagens secretas de raros e caros amigos que eu sei que nunca vão me deixar.

Chove Chuva
Ontem, avec Kim, debaixo da chuva de granizo na maior quermesse techno da América Latina. Nós fomos felizes. Dançamos até as dez, voltamos pra casa, comemos quiche.
E depois algumas coisas deram errado, por que felicidade é uma coisa muito fugidia.
E por falar em fuga, eu vou pros Quatro Cantos. De fevereiro não passa. Comeremos tapiocas no Alto da Sé olhando o mar e ouvindo o apito tristíssimo dos navios no porto lá embaixo.

Mais Prosaico
Aos amigos jornalistas, eu gostaria de encomendar uma campanha de difamação do Cine Lumiére. Comprei meu ingresso para o Almodóvar com duas horas de antecedência e fui passear. Quando voltei para entrar no cinema, descobri que os putos tinham vendido mais ou menos trinta ingressos a mais do que cabia na sala. E ainda quiseram nos oferecer "uma cadeirinha que a gente põe lá do lado quando acontece isso". Depois de alguns berros meus e da gloriosa juíza dona Fernanda, nos deram o dinheiro do ingresso de volta. Mas nos tínhamos pago estacionamento, e isso ninguém quis devolver. E a educação do gerente foi Suiça... só faltou chamar a gente de louca. MORRRRRRTTTTTTTI>

Eu preciso
De algum norte, uma dica, uma ajuda para sair deste labirinto em que eu sou o rato cego que não sabe por onde ir.