MORTTTTI
Perdi o vôo. Cheguei uma hora e meia antes e PERDI o vôo, tudo culpa de:
a- O aeroporto de congonhas ser na verdade UMA RODOVIÁRIA das mais meia-boca do mundo.
b- A TAM ser uma empresa aérea tão eficiente que fecha seus aviões 40 MINUTOS antes do combinado.
c- A fanfarra do Exército da Salvação estar tocando TÃO ALTO no saguão que tornou impossível que escutássemos nosso nomes no alto falante.
Balanço da noite: duas horas de trânsito, um homem vestido de avião inflável, um pão de queijo, uma coca-light e 30 reais de taxi.
Dá licença que eu vou beber. Saco.
E amanhã tenho que embarcar às 7:00 da manhã. Cocô de Ema!

Vou descendo, por todas as ruas, e vou tomar aquele velho navio
Estou indo. Volto logo. Uma semana de sol tórrido e tentativas de dizer aquilo que precisamos dizer. Conversas com gentes, andar de carro (é luxo desta vez), o rio à distância, a própria distância e a muita estrada. Fofoca com Nita. Feijão ralo que eu não gosto na pousada. Sair de São Paulo. E fazer promessas de arrumar a casa e organizar a vida na volta. Se Deus existe, eu peço a ele um toca fitas na viagem e a solução de todos os problemas do mundo. Só isso. Adeus.

Tentativa de conserto
E ele, querido Aidy, companheiro de trabalho e filosofias psico-erótico-fenomenológicas, disse:
- Você só é grande, faz parte da constituição das mulheres germânicas.
Eu não tenho antepassados alemães.
Ai, ai, eu também amo Aidy mesmo assim.

A Profa.
Inteiramente vestida de batik cor-de-rosa, minha querida e super-hippie mestra, que eu não encontrava há uns meses, se sai com esta, assim que eu entro na sala:
- Nossa, você está ficando LARGA.
Ela se referia às minhas coxas. Eu amo ela mesmo assim.

Liberdadezinha
Eu não sou mais a mesma. Entendi umas coisas. E agora sei, de dentro da minha história, por que fiz as coisas que eu fiz, por que deixei que fizessem outras coisas comigo. Isso me deixa viver melhor, menos aflita com os dias ruins. Isso me impede de ter atitudes horríveis com quem eu amo só para ganhar uma discussão, de me ofender por coisa pouca imaginada, de invadir espaço alheio como se eu tivesse que estar em todos os lugares.

Pela passagem do tempo
Domingo eu disse para a minha mãe que eu estava feliz. "Finalmente", ela respondeu, e me deu um abraço aliviado. E ria, como quem diz "essas coisas sempre passam e outras vem, eu sei disso aqui do alto dos meus cinqüenta".
A tristeza tem um poder: ela tira a capacidade da gente de acreditar em portas e janelas.

O que está acontecendo?
Interpretação é o que FODE a cabeça das pessoas.

Patty Smith
Quando ela QUER ela sabe ser a mulher mais BREGA do mundo.

Jeune fille en chaleur
Semi-apaguei na aula de balé.
Eu devia ser sueca.

Augúrios
Como estará o tempo na caatinga? Pior do que aqui, eu suponho.
Estou obcecada.

O único assunto possível
Calor, calor, meu deus. Sem aviso, sem piedade, sem compaixão. Ligaram o botão do forno. Eu sou uma aristocrata rebelde, eu preciso de climas amenos. Não desta barbárie. Não consigo pensar. Estou enjoada. Começo a acreditar em determinismo geográfico.

Mulher barômetro
Minha cabeça estava explodindo. Choveu, passou.

Agora
Gostando de: vaselines, walter benjamin, alcachofras, franjinha, cavanhaque, pimenta dedo-de-moça, sapato boneca, vestidos, beijo de manhã, pequenas atenções, cama arrumada sem eu pedir.
Com medo de: avião, calor, engordar muito, não ser feliz para sempre, perder as ilusões todas, desesperar de cansaço, ler jornal, Havanir.

Ojos verdes
Planos para a vida longa: ganhar na Megasena. Ter uma casinha, um cachorro, comprar livros, revistas, discos. Juntos. Viajar de vez enquando, fazer o que gostamos. Só o que gostamos. Ninguém precisa de um mercedes se pode ter sossego.

A única resposta que eu sempre soube
O moço me perguntou : por que tem que doer tanto?
Eu respondi: Eu não sei por que, eu só sei que dói.

Exigência
Abaixo a democracia literária!



Eu serei para sempre uma pessoa com problemas de sono.

Clima
Eu gosto de dia de eleição. As pessoas se encontram para votar, ás vezes reencontram gente que não vêem há muito tempo, combinam coisas, ficam amigas dos companheiros de fila e dos pobres mesários.
Hoje pensei numa campanha gentileza: faça seu mesário feliz. Leve um agradinho pra ele, tipo um pedaço de bolo de chocolate e um copo de guaraná gelado. Afinal, ele fica lá o dia inteiro servindo os votantes. E os mesários da minha seção são sempre muito educados.
De qualquer forma, votar é um evento. Duro mesmo é o dia seguinte: a gente descobre quem ganhou, chora ou comemora, mas tem certeza de que, de algum jeito, vai se decepcionar. É como se apaixonar pelo menino mais bonito da turma. A mesma sensação. Você acredita nele, mas ele se revela bem pouco especial.

98o seção
Fui lá, apertei o botãozinho e fiz uma prece.
Como a gente ainda está pagando a dívida que o Delfim Netto fez para dar caviar para a generalada na década de setenta, eu sei que não tem nem chance das coisas serem muito melhores do que são. Mas de teimosa, eu acredito.
Se ELES fizerem tanta merda quanto os OUTROS, eu viro guerrilheira e explodo Brasília. Promessa.