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Tem coisas que não passam. Fiquei triste de repente, por que encontrei um desenho na internet e me deu saudade de uma pessoa com quem eu quase não falo mais. O que não foi parece sempre mais certo do que o que é. E dói que é uma coisa. O que eu tenho é o que é. E eu gosto do que eu tenho. Mas eu fico melancólica fácil. E fico achando que em algum outro lugar, numa vida paralela, tem a vida que era a minha de verdade, e que não é essa que eu levo. Uma vida muito mais legal e especial e CERTA. Mas é uma vida morta, que não volta. E a minha vida de hoje é boa, mas dá trabalho. Eu não gosto de sentir saudade. Ontem nasceu mais uma banda. O nome é Lemon Incest, mas eu não gosto. Eu, R. e o Garoto Interrompido. Temos uma guitarra Gianinni podre, um violão rachado e um pandeiro. Mas já compusemos uma música (com letra!) hoje no café da manhã. Ensaio filmado e tudo. E eu estava de camisola de flanela. Os amantes do Círculo Polar me fez chorar. Lúcia e o Sexo me fez chorar, rir e ficar com tesão.Eu queria morar num cinema. Google! DayPop! This is my blogchalk: Portuguese, Brazil, São Paulo, Pinheiros, adrianne, Female, 26-30! Eu odeio vinho vagabundo. Me dá vontade de beber leite de aveia Davene no dia seguinte, me sinto uma uva passa por dentro. Para melhorar da culpa, fiz algo que precisava fazer desde que saí da casa da minha mãe: arrumei os disquinhos. Ficou lindo. Ordem mais ou menos alfabética, dividida mais ou menos por gêneros. Questão: o que eu faço com os expurgos, tipo Barão Vermelho (?!?!?!), Fernanda Abreu (como é que isso veio parar aqui? eu nunca comprei um disco dessa moça), The Cult e Billie Idol? Tem algum dono de sebo louco que trocaria estas merdas por alguma coisa? Acho que se eu deixasse na rua, eles iam continuar no mesmo lugar por dias e dias, até um cachorro comer e passar mal. Agora, os meus discos do A-ha eu não dou pra ninguém: eles eram os meus Menudos escandinavos. Aguardo profundo ataque de culpa nas próximas horas. Comprei quatro cd's para espantar o tédio. Galaxy 500, Mogway, Lambchop e Sonic Youth. Não tinha o que eu queria do Roberto. Ainda bem, por que eu também não tinha mais dinheiro. "I could have been a sailor, could have been a cook A real live lover, could have been a book. I could have been a signpost, could have been a clock As simple as a kettle, steady as a rock. I could be Here and now I would be, I should be But how? I could have been One of these things first I could have been One of these things first. I could have been your pillar, could have been your door I could have stayed beside you, could have stayed for more. Could have been your statue, could have been your friend, A whole long lifetime could have been the end. I could be yours so true I would be, I should be through and through I could have been One of these things first I could have been One of these things first. (...)" nick drake. E o que você faz quando vai visitar a amiga e fica achando que ela tem planos de nunca mais sair de casa, e não consegue nem penetrar na tristeza dela, nem sequer saber se ela está mesmo triste? Talvez eu tente a indefectível torta de mousse de chocolate Miss Daisy. Talvez eu não possa fazer nada. Eu queria poder. Foi tão bom. E fazia tanto tempo... Me lembrei de quando a gente não tinha carro: meus mais queridos e eu andando a pé pela Consolação atrás de um boteco, falando merda e cantando elis regina embaixo de um guarda chuva de bolinhas. Lindo! Eu amo vocês! Ontem fui ao show de uma banda chamada Armazém. Oito músicos, piano, sopros variados, contrabaixo,guitarra, etc, etc, influência do Hermeto Pascoal e umas bagunças que soavam bem. O problema é que depois das bagunças, eles voltavam para coisas redondinhas, e o cara da banda ficava explicando todas as influências (cabeçudas: Felinni- não a banda, o Federico, Gogol, etc.), se preocupando em não chocar o público, e fazendo reverências a não sei que figura velha da MPB. Eu só conseguia me lembrar do Tortoise, que fazia mais simples o que eles tavam tentando fazer. Sem muita reverência, sem medo de afrontar. Acho que pra música ser boa, a afronta é necessária. E músico devia ser proibido de EXPLICAR a música. Ou eu não tenho ouvidos? E me disseram que os Les Sucettes se trancaram em casa e só saem em novembro. Tão gravando disquinho. Eles são MUIIITO finos. Muito caca. Minha vó já me empurrou o segundo lanchinho do dia, ao som de Françoise Hardy (eu gosto dela, eu gosto do Roberto, eu sou sentimental). Ontem no aeroporto eu comprei uma The Face, coisa que eu não fazia há muito tempo. Eu já tinha lido os dois livros que eu tinha levado mais um que peguei do Lu e não tinha nada que prestasse na livraria. Eu sou faminta e compulsiva com letrinhas. Enfim, eu até gostava da revista há uns seis anos. Mas eu não sei o que aconteceu. Eu achei a coisa mais chata do mundo.Uma horrível entrevista com o Strokes (puta banda idiota!), editoriais de moda feios, tudo errado. A Kate Moss grávida na propaganda da Chanel (agora ela tem bochechas!) era a melhor coisa da revista. Será que eu vou começar a ler a Carta Capital??? Não, vou tingir o cabelo. "Minha casa minha casinha, merda para a senhora rainha" Agora eu voltei mesmo. Relatório dos últimos quinze dias: Depois de uma viagem de dez horas num ônibus pinga pinga, eu cheguei na cidade onde a gente (eu e o Lu) foi gravar. É perto de Canudos, aquela do Antônio Conselheiro. Entrei na pousada e descobri que o quarto não tinha janela. Normal. Banho frio. Normal. Uma cabrita na vizinha, que méeeiva a noite inteira. E um papagaio que imitava a cabrita. Normal. Na verdade, foi tudo muito bom, entrevistamos quase todas as pessoas que precisavamos entrevistar e temos até um nome pro documentário: "Todas as Flores do Sertão" - por que lá pelo meio das entrevistas, a gente percebeu que em todos os enquadramentos tinha alguma flor de plástico, presença decorativa constante em todas as casas da região. Virou proposital. Em TODAS as cenas tem uma flor, ha! Fomos até a um casamento na roça, uma festa de quatrocentas pessoas iluminada por duas lâmpadas e dois candeeiros.Uma rave, praticamente. É claro que estava tocando forró. Mas acho que a gente conseguiu evitar qualquer influência do Andrucha, e ficou tosco no bom sentido. Fora que a noiva estava casando obrigada, por que estava com uma cara! Ilusão de ótica Ontem, no táxi, eu achei São Paulo parecida com Paris. Muita mandioca faz isso. Tomei vinho. Comi pizza. Ouvi Alice, do Tom Waits. Eu amo viagens. Mas eu gosto muito de voltar para casa também. Por que viajar me desacostuma o olhar, e eu volto a me espantar com os lugares da minha vida de todo dia. Ressaca de Julho Acordei esquisita. Todo começo de semestre desde que eu saí da faculdade é assim. Como se eu tivesse que tomar uma grande decisão, arranjar um grande emprego, emagrecer dez quilos, casar e ter dois filhos, ser legal, não envelhecer, ganhar dinheiro, tudo num dia só: primeiro de janeiro ou primeiro de agosto. Depois eu lembro que isso é uma bobagem. Passa. Eu paro de me perguntar se estou fazendo as coisas certas, com as pessoas certas e me lembro que CERTO não existe assim. Ele salva Mas aí eu li o granado. Foi epifânico. Estou a caminho de casa. E escapei de trazer uma buchada de bode de presente para casa. Infelizmente perdi o show do wurla, mas aprendi muito sobre versoes de madonna e cindy lauper regravadas em portugues e em ritmo de forro. Estou a caminho, mas nao sei se chego: ouvi falar que implodiram a ponte da eusebio matoso. Meda. |